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A identificação de Adolf Hitler: uma importante contribuição da Odontologia Legal

No dia 30 de abril de 1945, o ditador nazista Adolf Hitler, deu um tiro na boca após ingerir uma cápsula de cianureto, enquanto Eva Braun morria engolindo sua cápsula de veneno.

A notícia da morte de Benito Mussolini, dois dias antes, atemorizou Hitler, que planejou minuciosamente o duplo suicídio. Hitler deixou todas as orientações sobre sua morte por escrito e teria ordenado a seu guarda costas Otto Gunsche que se encarregasse de destruir seus restos mortais, que não deveriam cair em poder dos russos.

”Eu e a minha esposa - de forma a escaparmos à desgraça da deposição e capitulação - escolhemos a morte. É nosso desejo sermos queimados imediatamente, no lugar onde decorreu grande parte do meu trabalho diário, ao longo dos doze anos em que servi o meu povo.”

Mas a tarefa de cremar os corpos se mostrou complicada, pois a artilharia soviética estava bombardeando furiosamente todo o terreno da chancelaria. Os corpos foram colocados deitados lado a lado em uma cratera de bomba e derramados sobre eles cerca de 180 litros de gasolina. Devido à uma forte ventania, o incêndio não destruiu completamente os corpos. Novas tentativas de cremação foram frustradas por uma bomba rasa sobre a cratera.

Em 5 de maio de 1945, o Exército Vermelho encontrou os restos de Hitler e de Eva Braun. As arcadas dentárias do Führer estavam preservadas. Mas, em meio a um cenário de guerra, era importantíssimo provar que aquelas arcadas eram mesmo de Hitler.

Então o chefe da inteligência soviética entregou uma caixinha contendo um conjunto de dentes à Yelena Rzhevskaya, uma jovem tradutora dos interrogatórios feitos com os oficiais alemães capturados pelos russos. A função de Yelena seria descobrir se aqueles dentes de fato pertenciam ao Führer.

Yelena foi escolhida para essa tarefa justamente por ser mulher, pois de acordo com seu comandante, seria menos provável uma mulher ficar bêbada ao ponto de perder os dentes do que os soldados do Exército Vermelho.

A primeira coisa que ela fez foi procurar o dentista de Hitler, Hugo Blaschke, mas ele já havia fugido de Berlim. Porém uma de suas funcionárias ainda estava no consultório, uma moça chamada Kathe Heusermann. Kathe encontrou a ficha de paciente de Hitler, contudo as radiografias não estavam lá. Então ela sugeriu que o único lugar a procurar seria no consultório odontológico de dentro da Chancelaria do Reich. E lá os russos encontraram as radiografias e outros documentos odontológicos.

Após o exame da ficha odontológica, das radiografias e comparação destas com as arcadas dentárias do cadáver masculino calcinado que tinha sido encontrado no dia 5 de maio no jardim da chancelaria, os peritos chegaram a conclusão de que estes eram os dentes de Adolf Hitler.

A prova irrefutável da morte de Hitler foi enfim encontrada, por meio da Odontologia Legal.