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ASFIXIA AUTOERÓTICA

Asfixiologia Forense é o ramo da Medicina Legal que trata do estudo das asfixias e anóxias. É um trauma de ordem físico-química que impede a passagem de ar às vias respiratórias, alterando a composição bioquímica do sangue. A palavra asfixia vem do grego a, que significa sem, e sphizos traduzido como ausência ou falta de pulso, no entanto, uma modalidade que desperta curiosidade é a Asfixia Autoerótica, ou Asfixiofilia.

De acordo com o meio que produz interferência na função respiratória, a asfixia se distingue em mecânica (fatores exógenos que atuam por meio de mecanismos físicos, como compressão do pescoço), patológica (doenças broncopulmonares) e química (monóxido de carbono, cianeto etc.). Divide-se em:

ASFIXIA QUÍMICA

  • Diminuição da capacidade de transporte de O2 pelo sangue:
  • Intoxicação por CO.
  • Inibição da utilização de O2 pelas células.
  • Intoxicação por cianeto.

ASFIXIA MECÂNICA

  • Diminuição da concentração de O2 pelo sangue:
  • Obstrução de orifícios respiratórios externos;
  • Bloqueio das vias respiratórias internas;
  • Restrição do movimentos respiratórios (compressão torácica);
  • Confinamento;
  • Afogamento;
  • Incapacidade de fluxo circulatório:
  • Enforcamento;
  • Estrangulamento;
  • Esganadura;
  • Asfixia autoerótica.

Dentro do Fetichismo, a principal causa é a falta de oxigenação no cérebro (indução de isquemia) para aumentar a intensidade do orgasmo durante a masturbação ou atividade sexual, por meio de hipóxia (saco plástico na cabeça) ou constrição (corda atada ao pescoço). Na comunidade BDSM, pode ser chamada de breathplay (brincar com a respiração) ou edgeplay (brincar no limite) e geralmente incluem um parceiro participante. Como outras atividades sexuais arriscadas, o parceiro pode ultrapassar os limites do que é seguro e consensual. Este costume quase sempre é realizado junto com outras práticas fetichistas.

Existem 4 tipos de mortes autoerótica: morte por asfixia, fatalidades autoeróticas atípicas, fatalidades sexuais por asfixia incluindo o parceiro, e suicídios autoeróticos (Lynch, 2006), mas quando a pressão é colocada sobre o nervo vago (pneumogástrico) no pescoço, a morte instantânea pode acontecer. A cena deve ser preservada com fotografias e esquemas para complementar as notas por escrito no laudo. Entre as anotações, devem constar: localização, posição da vítima, agentes prejudiciais, comportamento sexual masoquista, vestuário, adereços, atividade masturbadora.

Etiologia médico-legal: acidental ou homicida. Muitas vezes é confundida com suicídio, devido à natureza das ligaduras, o que se leva a crer em alguma forma de morte intencional. O interesse erótico pela asfixia é classificado como uma parafilia no Manual Diagnóstico e Estatístico da American Psychiatric Association, no entanto, “São consideradas normais quando envolvem parceiros humanos, com características físicas desenvolvidas e capazes de consentir o ato sexual. Estes casos não são passíveis de intervenção ou qualquer tratamento”, conclui a psiquiatra Livia Castelo Branco para a Revista Holiste (2021).

Achados médico-legais da prática: cianose de face, exoftalmia, protrusão de língua, equimose em conjuntiva, livores (início 2 horas após a morte), dentes rosados e a Tríade Asfíxica: sangue fluido e escuro (CO2), congestão polivisceral e manchas de Tardieu (equimoses viscerais). A rigidez cadavérica é tardia.

Peter Anthony Motteux , autor inglês e editor do The Gentleman's Journal , "a primeira revista inglesa", morreu de asfixia autoerótica aparente em 1718, sendo a primeira morte registrada por esse motivo. Como casos conhecidos, temos o do ator americano David Carradine que interpretou o Bill, de Kill Bill (filme de Quentin Tarantino, 2003), e Kwai Chang Caine, na série de televisão Kung Fu (produzida nos anos 1970), morreu em 2009 aos 72 anos, em um quarto de hotel em Bangcoc,Tailândia. Outra morte resultante desse processo foi a de Michael Hutchence, vocalista da banda australiana INXS. O corpo nu do astro do rock foi achado num quarto de hotel, com um cinto no pescoço, em 1997 em Sydney, Austrália.

 

 

Referências Bibliográficas:

ARGYROPOULOU, Z; SARDINHA, M; GOMES, C; GALLO, F; Asfixias atípicas como diagnóstico de exclusão.

 "Asfixia erótica" . Revista Lust . 1997. Retirado em 2 de agosto de 2021.

BOGLIOLO, LR; TAFF, ML; STEPHENS, PJ; MONEY, J.: "Um caso de asfixia autoerótica associada à parafilia multiplex".

 "Carradine Death 'Erotic Asphyxiation ' " . Bangkok Post . 6 de junho de 2009 . Página visitada em 5 de junho de 2021.

 

 

 

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