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O clã dos assassinos: assassinos em série, em massa, relâmpagos

Primeiramente, a que se dizer que assassinos que matam muitas pessoas seja ao mesmo tempo, seja com intervalos de tempo, sempre existiram ao longo de nossa história. A verdade é que a expressão “serial killer” foi usualmente aplicada somente na década de 70. É comumente atribuída ao agente especial do Federal Bureau of Investigation (tão conhecido e citado FBI) Robert Ressler, um dos membros fundadores da Unidade de Ciência Comportamental, também conhecida como “Caçadores de Mentes” (lembrando da série da plataforma Netflix “Mindhunter”) ou “Esquadrão Psíquico”.

Ressler escreveu em sua biografia Whoever Fights Monsters (Aquele que luta com monstros) no ano de 1992, que no início da década de 70 ouviu um colega dizer sobre crimes em séries, tais como: estupros, incêndios criminosos, roubos, etc., ficando admirado com esta ideia, passou então a usar o termo “serial killer” em suas palestras e entrevistas para designar “o comportamento homicida daqueles que praticam um assassinato, depois outro e mais outro de forma bastante repetitiva”. Apesar deste termo se tornar muito usual após Ressler, segundo Jesse Sheidlower, editor da Oxford English Dictionary, dados apontam que o nome homicida em série já havia sido mencionado antes por volta de 1961, quando apareceu em uma citação na Merriam-Webster´s Third New International Dictionary, pelo crítico alemão Siegfried Kracauer.

Para se chegar a uma definição precisa do sujeito que é considerado serial killer, existem certas divergências entre muitos especialistas da área criminal. O FBI em seu Manual de Classificação de Crimes de 1992, define que é preciso ocorrer três ou mais eventos separados em três ou mais locais distintos com um período de “calmaria” (seria uma espécie de planejamento do assassino) entre os homicídios. Esta definição, por um lado, é ampla demais, pois pode ser aplicada a tipos homicidas que não são considerados serial killers como: matadores de aluguel ou terroristas. Por outro lado, pode ser um termo estreito demais, pois o psicopata precisaria matar pelo menos três pessoas em três ou mais locais diferentes. Isto se aplicaria a, por exemplo, Ted Bundy que assassinou diversas mulheres em sete estados diferentes. Contudo, já não se aplicaria a John Wayne Gacy que fez do porão de sua casa um verdadeiro reduto de tortura, escondendo os restos mortais debaixo da casa até não caber mais.

 Outra questão interessante é que quando Ressler e seus colegas de investigação passaram a usar o termo serial killer aplicaram-no aos psicopatas Ted Bundy, Edmund Kemper e John Wayne Gacy e todos apresentavam uma característica bem peculiar: a perversão sexual. Logo, ficou reconhecida que esta perturbação era comum entre os matadores em série. Eles praticavam estupro, necrofilia, canibalismo, fetichismo, sadismo. Mesmo que um assassino pratique homicídio com este forte componente sexual de perversão, se mata apenas uma pessoa, não seria considerado serial killer. De qualquer forma são sujeitos extremamente cruéis e perigosos que precisam ser detidos o quanto antes.

Dentre essas falhas nas formulações do FBI, outra definição foi articulada pelo National Institute of Justice nos Estados Unidos que diz: uma série de dois ou mais assassinatos cometidos como eventos separados, geralmente, mas nem sempre, por um criminoso atuando sozinho. Os crimes podem ocorrer durante um período de tempo que varia de horas, dias, semanas a anos. As provas materiais observadas nas cenas do crime refletem nuances sádicas e sexuais. Então, os assassinos em série deixam um rastro bastante evidente de seu funcionamento sexual bizarro. Seu prazer está fixado em torturar e dominar. Querem ver sofrimento e sangue. Seu gozo maior está na humilhação, subjugação do outro, o clímax é o tormento da vítima e a sua morte. Os crimes são praticados entre períodos de matança e calmaria.

Aqui temos as diferenciações com relação aos outros tipos de homicidas múltiplos. Os sujeitos que matam muitas pessoas de uma só vez num único lugar são considerados assassinos em massa. É como se fossem uma bomba-relógio a ponto de explodir! Geralmente as motivações para cometer um assassinato em massa são: transtornos psicológicos, psicose, sentimentos patológicos de frustração, estresse, desespero, ou ainda, ideias mórbidas, ódio, vingança. Nem sempre quando o sujeito escolhe o local tem algo relacionado com ele, como por exemplo, foi estudante de determinada escola e retorna ao lugar com “sede de vingança”. Pode optar por um lugar aleatório como um cinema ou uma praça. Estes atos que envolvem desferir tiros para todo lado e atingir quem quer que seja, ou ainda, mandar todo mundo pros ares, são suicidas. O assassino “cumpre o seu dever” e, logo na sequência, tira a própria vida. São alguns exemplos de assassinos em massa Larry Gene Ashbrook (1999)  que transformou uma igreja em um cenário de chacina; o atirador da Torre do Texas Charles Whitman (1966) fez 14 vítimas fatais; James Huberty (1984) provocou um verdadeiro massacre numa lanchonete do MC Donald´s; Mateus da Costa Meira (1999) ficou conhecido como o autor do massacre do Shopping Morumbi, exterminando diversas pessoas numa sala de cinema.

Os chamados assassinos relâmpagos têm praticamente as mesmas motivações dos assassinos em massa que os levam a praticar os homicídios múltiplos. A maioria também se mata logo após o crime, alguns se deixam capturar mesmo sabendo que morrerão executados ou ficarão presos o restante da vida. Às vezes os assassinos relâmpagos focam em determinadas vítimas, como antigos chefes, professores, colegas de trabalho, porém no decurso da matança vão atingindo quem quer que cruze seu caminho naquele momento, querem provar seu poder de devastação, demonstrando que seu maior ódio é, na verdade, com a sociedade.

A diferença crucial entre o assassino em massa e o relâmpago está no movimento. Isto é, enquanto que o primeiro elege um local com muitas pessoas e permanece o tempo todo no mesmo lugar matando o maior número de indivíduos, o segundo escolhe uma rua, um bairro, ou até cidades próximas, por exemplo, e sai atirando enquanto caminha, seja a pé, seja com um automóvel. Nisso, consegue atingir muita gente que, infelizmente, se depara com ele. Ele mata de modo itinerante.

São alguns exemplos destes assassinos itinerantes Howard Unruh (1949) quando percorreu sua vizinhança em Nova Jersey atirando compulsivamente em todos que via pelo caminho.  Um casal de matadores Charles Starkweather e Caril Fugate que em 1957 mataram dez pessoas enquanto viajavam pelo estado de Nebrasca ao longo de 26 dias. Andrew Cunanan matou quatro homens enquanto também viajava de Mineápolis a Miami em 1997. E, no final de 2002, John Muhammad e Lee Malvo causaram verdadeiros estragos nas cidades de Virgínia, Maryland e Washington D.C. na direção de um carro desferindo tiros para todo lado.

Definitivamente o clã dos assassinos dão muito trabalho para as autoridades! Seja para encontrar uma definição acerca de seus modos de agir, seja para capturá-los o mais rápido possível e cessar a matança.

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