Artigos

Parcialidade vs Opinião Pública

Você sabe quem foi Mark Fuhrman?

Resumidamente, ele foi uma das peças-chaves para a absolvição de O.J. Simpson quando este foi acusado do homicídio de sua ex-esposa e de um suposto amante dela. A defesa do ex-astro de futebol americano descobriu que Fuhrman havia um histórico de racismo em sua ficha funcional. E este mesmo Fuhrman teria sido o policial que teria encontrado provas fundamentais que incriminaria Simpson. A defesa de Simpson levantou suspeita, considerando que o comportamento racista de Fuhrman seria prova de que ele poderia ter forjado as evidências conta Simpson. Isso tudo ocorreu em 1994.

Agora vamos para o Brasil de 2018, onde, apesar do voto para eleger os governantes ser secreto, diversas pessoas se manifestaram publicamente em redes sociais apoiando ou rechaçando determinado candidato. Pense um servidor público, mais precisamente, um perito criminal fazendo isso: defendendo profundamente ou ofendendo fervorosamente um partido ou um candidato. Agora vamos imaginar um cenário onde um político de um destes partidos defendido ou ofendido por este perito criminal é morto. Por mais que este perito alegue ser totalmente imparcial, o que pensaria um juiz, um promotor ou advogado de defesa se sopeassem o comportamento deste perito nas redes e o resultado de sua perícia? Certamente poderiam colocar em dúvida sua integridade, levando a crer que sua fidelidade com determinado candidato ou partido falaria mais alto que sua imparcialidade. Se pensarmos em um caso de tribunal do júri, este risco é ainda maior.

Creio que não há necessidade de haver censura a servidores públicos quanto a suas manifestações em redes sociais. Mas cabe a cada um que tem um papel dentro da segurança pública ou dentro da justiça ver o que é mais importante: manifestar-se publicamente quanto a sua escolha política ou sua integridade como servidor público. Antes de mais nada, o servidor público tem um compromisso com o estado e não com o governo.